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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

PESSOA, Fernando


O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.




27/11/1930

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Eu acordo pra trabalhar... Eu durmo pra trabalhar... Eu corro pra trabalhar


Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei

Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

Eu acordo pra trabalhar
Eu durmo pra trabalhar
Eu corro pra trabalhar

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça que passa
E polui o ar
Eu nada sei

Eu não vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

(Os Paralamas do Sucesso)

Nenhum de Nós

Nenhum de Nós