quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

PESSOA, Fernando


O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.




27/11/1930

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Eu acordo pra trabalhar... Eu durmo pra trabalhar... Eu corro pra trabalhar


Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei

Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

Eu acordo pra trabalhar
Eu durmo pra trabalhar
Eu corro pra trabalhar

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça que passa
E polui o ar
Eu nada sei

Eu não vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

(Os Paralamas do Sucesso)

sábado, 13 de outubro de 2007

eu sei amar?!

hoje me disseram que o amor é o "fazer".
o sentir é só complemento do amor. aquilo que tu faz pelas pessoas que ama que é o AMAR!
se for assim, EU SEI AMAR.

conheço gente que discorda. então, sei lá.
mas acho que amar só pode ser (pela lógica, já que é o maior dos sentimentos) pensar primeiro no outro.
também acho egoísmo pensar que as pessoas que a gente ama são aquelas que têm de entender tudo, aceitar tudo e viver imaginando o quanto são importantes e amadas... é comodismo agir assim. não é "pensar no outro". é pensar em sí.


» ao som da banda Inmigrantes...

terça-feira, 9 de outubro de 2007

TROPA DE ELITE


Quem não assistiu uma cópia pirata que atire a primeira pedra...

Chega finalmente às telas do cinema, depois de meses como o campeão absoluto de vendas no mercado pirata de DVD, o aguardado "Tropa de Elite", de José Padilha. O filme estréia com 140 cópias, em São Paulo e no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira.
O restante do país ainda terá de aguardar até dia 12, que era a última data anteriormente anunciada para o lançamento.
No meio de setembro, "Tropa de Elite" chegou a ter uma estréia-relâmpago em Jundiaí, numa única sala e horário. O objetivo foi credenciar-se para concorrer à indicação para representar o Brasil na disputa de uma das cinco vagas no Oscar de filme estrangeiro. Mas o representante brasileiro acabou sendo "O Ano em que meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger.
Com a estréia comercial em grande escala, começa o grande desafio para o filme. Não se sabe ainda qual o impacto que terá na bilheteria a circulação pelo país de um número estimado pelo próprio diretor Padilha em 1 milhão de cópias piratas de "Tropa de Elite".

O roteiro de "Tropa de Elite" foi escrito pelo diretor José Padilha e também por Bráulio Mantovani (de "Cidade de Deus").
No filme, cria-se uma história fictícia, ambientada em 1997, quando se preparava uma nova visita do Papa João Paulo 2o ao Brasil. O protagonista é o capitão Nascimento (Wagner Moura), um policial que acredita no seu trabalho e tem a chance de uma promoção. Para comandar uma operação de "limpeza" de criminosos, Nascimento passa a chefiar a tropa que sobe o morro e fica cara a cara com os traficantes. O filme apresenta uma visão bastante radical e até negativa do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Mostra que, quando o batalhão sobe, a polícia convencional sai. O Bope só entra em ação para matar, como diz a letra de seu macabro hino de guerra: "Homem de preto, qual é a sua missão? É invadir favela, é deixar corpo no chão." O treinamento de seus integrantes não fica atrás em sadismo. Muitos desistem antes do final, sendo brutalizados e humilhados na saída.



www.tropadeeliteofilme.com.br


Para o controle dos morros, os integrantes do Bope valem-se inclusive de espancamentos e torturas. O procedimento mais comum é o quase sufocamento dos suspeitos com um saco plástico, para que revelem os paradeiros de seus chefes.
Ao mesmo tempo em que aumenta a violência de seus métodos, aumenta a crise pessoal de Nascimento. Afetado pela insônia e pela síndrome do pânico, ele toma remédios e apresenta um comportamento cada vez mais instável. Nem por isso seus superiores concordam em substituí-lo.
Um processo semelhante de brutalização atinge policiais sob seu comando, como Neto (Caio Junqueira) e André (André Ramiro).
"Tropa de Elite" toca em muitos temas explosivos: violência policial; a criação de uma elite ainda mais violenta dentro do Bope; a suposta conivência das ONGs com o tráfico para poderem instalar-se nas favelas e realizar ali um trabalho social; e até uma alegada cumplicidade da classe média com a exploração de crianças da favela, a partir do momento em que consome drogas no asfalto.
Todos esses assuntos já haviam sido de algum modo abordados antes pelo cinema brasileiro recente, em filmes como "Cidade de Deus", "Quase Dois Irmãos", "É Proibido Proibir" e o documentário "Notícias de uma Guerra Particular", entre outros. Mas nenhum, até agora, tinha tido tanto impacto.



(Por Neusa Barbosa, do Cineweb - O Globo)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007


Em todos os dias que virão

O homem rico contará o seu dinheiro

Supondo que o dinheiro exista

Para ser contado

Em todos os dias que virão

O louco contará as suas histórias

Vendo em cada uma

Pedaços de um amor

Em todos os dias que virão

O tolo trará flores

Sonhando com as flores

E alguém para receber

Supondo que os sonhos não se vendem

O homem rico e o tolo contarão flores

Em todos os dias que virão

As portas estarão fechadas para estranhos

Supondo que as portas

Suportam todos os perigos

Supondo que os sonhos não se vendem

O homem rico e o tolo abrirão as portas


(Thedy, Veco)

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

mesmo assim eu fui à luta... eu quis PAGAR PRA VER!!!

eu me lembro muito bem,
como se fosse amanhã
o sol nascendo sem saber
o que iria iluminar
eu abri meu coração como se fosse um motor
e na hora de voltar
sobravam peças pelo chão

mesmo assim eu fui à luta...
eu quis pagar pra ver

aonde leva essa loucura
qual é a lógica do sistema
onde estavam as armas químicas
o que diziam os poemas

afinal de contaso que nos trouxe até aqui, medo ou coragem?
talvez nenhum dos dois
sopra o vento um carro passa pela praça
e já foi... já foi por acaso eu fui à luta... eu quis pagar pra ver


(armas químicas e poemas - engenheiros do hawaii)

terça-feira, 25 de setembro de 2007

AS PESSOAS MENTEM... AS PESSOAS MORREM... AS PESSOAS BEBEM... AS PESSOAS PENSAM QUE FAZEM POESIA...

a depressão é um poço mais fundo
que o fundo do poço mais fundo
é morte
é escuridão

mas a vontade não cessa
como diz a lenda
e o fundo do poço tem chão
para pisar
mais fundo para cavar
até sair no Japão

a depressão é vida
serenata dos pensamentos próprios
renascer de cinzas

um ranger de juntas enferrujadas
prontas para um novo banho de sol...


» Para o Ander...

domingo, 2 de setembro de 2007

A PONTE

4:45 da manhã e o telefone berrava ferindo a madrugada e me tirando de um sono nada tranqüilo.
- Alô!? murmurei, (nunca sei acordar de uma vez).
- Jajah?
- Hm?
- Acorda. Isto é realidade. Ouve as palavras mágicas: "Thedy, Nenhum de Nós, Thedy, Nenhum de Nós, Thedy..."
- Tá! Cala a boca! Já acordei. Que houve? Onde você está?
- Tudo bem. Estou em casa, não sou sonâmbulo.
- ha-ha-ha, retruquei.
Levantei devagar. Procurei meus óculos, peguei o blusão que estava no tapete e fui para o seu quarto. Entrei sem fazer barulho. A cama estava em ordem. Parecia que ele acabara de deitar, aliás, nos últimos dias ele não bagunçava a cama nem o sofá nem o quarto. Estava tão leve que parecia flutuar sobre as coisas. Ou tão pálido que as coisas já não o percebiam.
- Sonhei contigo.
- Ah. Que lindo. Que bom que você me ama tanto que nem dormindo quer ficar longe, respondi, mas aguenta até o sol nascer, tá? dei-lhe um beijo e disse boa noite!
- Segura esse sarcásmo doce, bicha-fora-do-corpo. Ainda não me conformo de você ter nascido mulher e essa alma de Drag... E esse cabelo esvoaçante? Tinha vento no corredor, né?!
Risadas bêbadas.
Deu saudade dos nossos porres que terminavam sempre numa bela vomitada no canteiro da José do Patrocínio ou no portão da casa dele. Bebemos uma vez depois que começou a tomar os remédios e ele foi parar na UTI. O médico disse que ele não poderia beber nada de álcool ou ácido nunca mais. Eu não bebi mais também.
A voz aguda disse: - Foi um sonho muito louco.
- Desde quando maconheiros como a gente, se é que somos mesmo gente, não tem sonhos "loucos"!?
- É sério! Esse foi diferente. Acordei assustado e ainda estou com medo.
- Me conta como foi, proferi sem pensar muito enquanto sentava numa cadeira do lado da cama.
- Ventava tanto que a gente não se ouvia bem. Era numa estradinha, como uma clareira, na verdade parecia ser um rastro, porque era preciso que ficássemos um atrás do outro. Fazia calor. Estávamos cansados, tão cansados que eu me arrastava e chorava de dor. Era uma floresta desconhecida e anoitecia de pressa. Ouvíamos um som de águas correntes que ficava cada vez mais forte na direção em que andávamos. Antes de começar a chover avistamos uma ponte de madeira e corda. Era uma ponte muito velha e próxima dum riacho que parecia ser fundo. Era sujo e eu vi umas pedras com limo em alguns lugares. E eu pensava que não daria tempo mesmo assim.
- Tempo de quê? perguntei.
- Não sei. Tento lembrar, mas não faço idéia para onde estávamos indo. Mas você e eu tínhamos muita pressa. Aí você correu na minha frente e eu até senti medo porque pensei que ia ficar para trás. Sabe desespero de sonho? Quando a voz abafa e você quer gritar mas ninguém ouve?... Mas você voltou mais rápido ainda e me levou até a ponte. Disse que era melhor atravessar logo porque ia chover e se demorássemos mais não chegaríamos a tempo.
- Então não era eu, eu disse rindo, você sabe que não sei nadar e morro de medo de cair na água. Não caminho sobre pinguelas.
Ele me olhou como se não fosse mais ele que estivesse alí e sim um anjo branco, de mãos muito finas e brancas, vestido de branco naquele quarto que tinha cheiros brancos. Acho que tinha uma lágrima no seu olho, ou era o meu que tinha e eu não percebi.
- Você disse que não tinha mais medo porque agora sabia voar. E se nós caíssemos você voaria comigo nos braços.
Um nó enorme na garganta que desceu seco até o estômago onde caiu e ficou queimando as tripas, os rins, o fígado, tudo por dentro. Eu voava e te carregava? Queria te levar agora para o céu. Com minhas asas de cigarra...
Segurei forte na sua mão suada e fria, fechei os olhos e sussurrei confirmando o segredo de minhas asas escondidas: - Atravessa comigo a ponte.

(:Jajá Martiny:)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007


quarta-feira, 22 de agosto de 2007

AMA AS TUAS ROSAS


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te.
A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

(Ricardo Reis)

Nenhum de Nós

Nenhum de Nós