Ocorreu um erro neste gadget

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

PESSOA, Fernando


O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.




27/11/1930

Nenhum comentário:

Nenhum de Nós

Nenhum de Nós