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segunda-feira, 16 de abril de 2007


"Cartola" tem a ousadia de ser simples, cronológico, sofisticado e poético. É um filme que se aproxima do seu principal objeto, o compositor e sambista, que, sem ser letrado, fez canções e versos dignos de um imortal.
Cartola, um artista do subúrbio carioca cuja obra é uma ponte cultural que liga um país dividido socialmente, empresta a biografia para os diretores Hilton Lacerda e Lírio Ferreira contarem, sobre um ângulo original, parte da história da Mangueira, do Rio e da nossa música do século passado. As imagens de arquivos resgatam longas-metragens, reportagens e entrevistas nas quais o sambista e o samba são os focos. O testemunhal é composto de pessoas que conviveram com Cartola e outras que fazem parte do cotidiano da comunidade da Mangueira, além de críticos, de historiadores, de cantores, de músicos e de compositores.O pernambucano Lírio Ferreira, autor de dois longas-metragens de ficção, volta a trabalhar, ao lado de Hilton Lacerda, com a linguagem mais documental em “Cartola”, filme que recria as emoções e a história do compositor mangueirense. Lírio é o diretor dos premiados “Baile perfumado” e “Árido Movie”. Já Hilton Lacerda, que participou de perto do processo de renovação do cinema pernambucano dos últimos dez anos, assina, com o amigo Lírio Ferreira, a sua obra mais autoral. “Cartola” é o primeiro longa-metragem do diretor. Ele é o roteirista de “Baile Perfumado”, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, e “Amarelo Manga”, de Cláudio Assis. Um pouquinho da história...Cartola, carioca do Catete, nasceu no em 11 de outubro de 1908, o mesmo ano em que morreu outro gênio da arte nacional, Machado de Assis. Depois de viver durante três anos em Laranjeiras, saiu da Zona Sul e foi morar na Mangueira aos 11 anos. O bairro classe média e o morro deram régua e compasso para os versos e as canções do compositor.Até os 15 anos, Cartola viveu com a família e freqüentou escolas de ensino clássicas. Com a morte da mãe, deixou as duas instituições e passou a ter lições de boemia.
O apelido Cartola de Angenor de Oliveira nasceu no canteiro de obra. Como pedreiro, o compositor usava sempre um chapéu para impedir que o cimento sujasse a cabeça. Fundou em 1925, com seu amigo Carlos Cachaça, o Bloco dos Arengueiros. Era a semente da G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, que surgiu em 28 de abril de 1928 da fusão desse e de outros blocos da região. O próprio Cartola escolheu o nome e as cores da agremiação. A estréia da Verde e Rosa na avenida foi embalada pelo o primeiro samba com a assinatura de Angenor de Oliveira. Era “Chega de Demanda”, composto em 1928 e só gravado por Cartola em 1974, no LP “História das escolas de samba: Mangueira”. Em 1931, o nome do compositor chega em outros territórios. Na década de 60, já vivendo com Eusébia Silva do Nascimento, a Dona Zica, eles fizeram uma pequena “revolução” gastronômica e musical na cidade. Depois, em 1964, a matriz do samba mudou de endereço para o restaurante Zicartola, na Rua da Carioca. A casa fez história com a cozinha comandada por Zica, que ajudava na inspiração de grandes sambistas do morro e de jovens compositores da geração pós bossa-nova. Só na Terceira Idade, aos 66 anos, o mestre gravou seu primeiro LP, “Cartola”. O disco conquistou vários prêmios. Dois anos depois, lançou o segundo com o mesmo título do anterior. O sambista ganhou destaque na TV em 1977: a Rede Globo exibiu um programa “Brasil Especial” dedicado a Cartola. Audiência era crescente na tela e no palco. Em setembro do mesmo ano, lançou o terceiro disco-solo: “Cartola – Verde que te quero rosa”.O quarto LP (“Cartola – 70 anos”) chega ao mercado em 1979.
Aos 70 anos é diagnosticado um câncer no compositor. Cartola morre vítima da doença, em 30 de novembro de 1980.
Entre composições próprias e de parceiras, Cartola deixou mais de 500 obras.
(Revista Raiz - revistaraiz.com.br - 02/04/07)
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O filme "Cartola" está em Cartaz no Santander Cultural.
Acessem horários em www.santandercultural.com.br

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